sábado, 4 de março de 2023

Berços de lata (Zé L.)

Vivem em bairros de lata
Onde na lama brincam
Crianças que a fome desperta
Dia a dia se animam

Mesmo ao lado fica um Shopping
E uma rua de doutorados
nunca dormiram numa barraca
Se não ficavam gripados 


Nascem em berços de lata 
Numa brecha da cidade
Donde o frio é  quem penetra
E o sol é felicidade

No contentor do lixo esgravata
Almofada no degrau da loja
É só mais uma noite que passa
Á espera que o sol nasça

 Mesmo ao lado o concelho
Cheio de funcionários 
De manhã entram pró quentinho 
 E ao sair olham pro lado 


Não há direito não há quem veja
Parecem factos sem importância
Tanta taxa tanta taxinha
E tanta desgraça!


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