Onde na lama brincam
Crianças que a fome desperta
Dia a dia se animam
Mesmo ao lado fica um Shopping
E uma rua de doutorados
nunca dormiram numa barraca
Se não ficavam gripados
Nascem em berços de lata
Numa brecha da cidade
Donde o frio é quem penetra
E o sol é felicidade
No contentor do lixo esgravata
Almofada no degrau da loja
É só mais uma noite que passa
Á espera que o sol nasça
Mesmo ao lado o concelho
Cheio de funcionários
De manhã entram pró quentinho
E ao sair olham pro lado
Não há direito não há quem veja
Parecem factos sem importância
Tanta taxa tanta taxinha
E tanta desgraça!
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