quarta-feira, 15 de outubro de 2025

Tecto do mendigo ( Zeca Afonso)

Num lugar ermo
Só no meu abrigo
Aí terei meu tecto
E meu postigo
De longe em longe
A luz das madrugadas
Duas camisas
Quem nao tem lavadas?

Aí serei meu dono
E companheiro
Dizei amigos
Se nao sou solteiro
E se eu morrer
O tecto que nao caia
Porque um mendigo
Dorme de atalaia

De quando em quando
Chamo o perdigueiro
Dizei amigos
Quem chega primeiro
Aí terei meu poiso
A luz da vela
Aí verei o sol
Duma janela

Tenho uma trompa
Tenho uma cascata
Tenho uma estrela
No bairro da lata
Olha o mar alto
Olha a maresia
Olha a montanha
Vem rompendo o dia


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